Nudismo e Naturismo
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A distribuição geográfica dos espaços nudistas no Brasil e as barreiras territoriais e econômicas ao acesso à prática do nudismo

 

A distribuição geográfica dos espaços nudistas no Brasil e as barreiras territoriais e econômicas ao acesso à prática do nudismo

Identificação institucional: Laboratório Independente de Estudos sobre Nudismo e Comportamento Social
Localização institucional declarada: Região de Aquidauana e Anastácio, Mato Grosso do Sul, Brasil
Natureza institucional: Iniciativa independente de estudos, sem vinculação universitária ou credenciamento científico formal informado
Natureza do trabalho: Pesquisa documental, geográfica, descritiva e exploratória
Data de fechamento do levantamento: 7 de novembro de 2026

Resumo

Este artigo investiga a distribuição geográfica dos espaços destinados à prática organizada do nudismo no Brasil e suas possíveis implicações para a acessibilidade territorial e econômica da população adulta. A pesquisa emprega análise documental de fontes públicas, levantamento do cadastro da Federação Brasileira de Naturismo, dados do Censo Demográfico de 2022, indicadores de renda e informações rodoviárias. Foram identificadas sete praias no cadastro federativo consultado, distribuídas por cinco estados e três grandes regiões. A partir de dados censitários, calculou-se uma população de 154.346.198 residentes com 18 anos ou mais em 2022, correspondente a aproximadamente 22,05 milhões de adultos por praia cadastrada. As regiões Norte e Centro-Oeste não apresentam praias na relação examinada, embora possuam associações e atividades organizadas. O estudo de caso de Aquidauana e Anastácio evidencia a ausência de espaços permanentes identificados no cadastro federativo em Mato Grosso do Sul e deslocamentos rodoviários extensos até destinos documentados em outras unidades da federação. Os resultados demonstram concentração territorial da oferta cadastrada, mas não permitem determinar a proporção da população efetivamente impedida de participar nem comprovar demanda reprimida. Conclui-se que a acessibilidade geográfica e econômica constitui dimensão relevante para investigações posteriores, recomendando-se estudos de rede viária, custos de viagem e pesquisas populacionais representativas.

Palavras-chave: Nudismo; acessibilidade geográfica; desigualdade territorial; lazer; mobilidade.

Abstract

This article examines the geographical distribution of organized nudist spaces in Brazil and its possible implications for territorial and economic accessibility among adults. The study uses documentary analysis of publicly available sources, the registry of the Brazilian Naturism Federation, the 2022 Demographic Census, income indicators, and road-distance information. Seven beaches were identified in the federation's registry, distributed across five states and three major geographical regions. Based on census data, the adult population aged 18 years or older in 2022 was calculated at 154,346,198 residents, corresponding to approximately 22.05 million adults per registered beach. The North and Central-West regions had no beaches in the examined registry, although associations and organized activities exist. The case study of Aquidauana and Anastácio highlights the absence of permanent facilities identified in the federation's registry in Mato Grosso do Sul and the long road journeys required to reach documented destinations in other states. The findings demonstrate the territorial concentration of registered facilities but do not establish the proportion of the population effectively prevented from participating or prove the existence of unmet demand. The article concludes that geographical and economic accessibility deserves further investigation through road-network analysis, travel-cost studies, and representative population surveys.

Keywords: Nudism; geographical accessibility; territorial inequality; leisure; mobility.


1. Introdução

O nudismo, entendido neste trabalho como a prática de nudez social não sexual em ambientes socialmente reconhecidos ou organizados para essa finalidade, constitui uma modalidade específica de convivência e lazer. Sua realização coletiva depende não apenas da disposição individual, mas também da existência de condições territoriais, institucionais, materiais e sociais que tornem possível a participação.

No Brasil, a prática organizada está historicamente associada a determinadas praias, clubes, associações e espaços privados. Entretanto, essas modalidades apresentam características distintas. Uma praia reconhecida como local de nudismo não possui necessariamente os mesmos requisitos de entrada, infraestrutura ou funcionamento de um clube privado. Da mesma forma, uma associação que promove encontros ocasionais não deve ser equiparada a um estabelecimento físico permanentemente disponível à população.

Essa distinção é essencial para investigar a acessibilidade da prática. A simples existência de uma associação em determinado estado não garante que moradores de seus municípios possam participar de atividades nudistas perto de casa. Os eventos podem ocorrer em propriedades alugadas, depender de convites, ter periodicidade reduzida ou exigir deslocamentos consideráveis.

A Federação Brasileira de Naturismo (FBrN), fundada em 1988, constitui uma fonte institucional relevante para identificar parte desse universo. No levantamento realizado em novembro de 2026, sua página de grupos e locais apresentava sete praias, doze associações, um clube, quatro entidades parceiras e um grupo especial. Essas categorias não representam unidades físicas equivalentes e não podem ser somadas indiscriminadamente como se constituíssem estabelecimentos recreativos permanentes (FBrN, [s.d.]).

O problema investigado neste artigo decorre da possibilidade de existir uma diferença significativa entre o interesse pelo nudismo e as condições concretas para praticá-lo. Um adulto pode considerar a atividade interessante, desejar experimentá-la e, ainda assim, não dispor de recursos financeiros, tempo livre, transporte ou oportunidades socialmente adequadas para participar.

Consequentemente, observar um número relativamente pequeno de espaços organizados não permite concluir, por si só, que o interesse social também seja pequeno. A prática observada depende simultaneamente de preferências, oportunidades, restrições e decisões individuais.

Essa questão torna-se particularmente relevante em um país de grande extensão territorial e desigualdade socioeconômica. A existência de estabelecimentos concentrados em algumas localidades pode impor exigências de deslocamento substancialmente diferentes a pessoas residentes em capitais, municípios do interior, áreas rurais e regiões afastadas do litoral.

O estudo também responde a uma dificuldade específica enfrentada por pesquisas sobre lazer: indicadores baseados exclusivamente na localização dos equipamentos recreativos podem deixar de considerar o custo total de sua utilização. Uma instalação pode ser formalmente aberta ao público e, ainda assim, apresentar baixa acessibilidade para determinados segmentos da população.

A distância territorial deve, portanto, ser examinada juntamente com transporte, disponibilidade de tempo, preços, infraestrutura e regras institucionais de ingresso.

1.1 Problema de pesquisa

A pergunta central é:

Em que medida a distribuição territorial dos espaços nudistas brasileiros, as distâncias de deslocamento e os custos econômicos dificultam o acesso da população adulta à prática do nudismo?

A investigação considera especificamente a população com idade igual ou superior a 18 anos. Esse recorte delimita o universo de interesse da pesquisa e não pretende descrever todos os públicos admitidos pelas diferentes instituições existentes.

1.2 Objetivos

O objetivo geral consiste em analisar a distribuição dos espaços nudistas cadastrados e documentados no território brasileiro e identificar suas possíveis implicações para a acessibilidade geográfica e econômica.

Os objetivos específicos são identificar praias e instalações físicas documentadas; distinguir espaços permanentes de organizações sem sede recreativa fixa; comparar a distribuição regional da oferta; desenvolver indicadores descritivos com dados demográficos; examinar trajetos e custos de acesso; e investigar a situação territorial das cidades de Aquidauana e Anastácio.

O trabalho também pretende estabelecer uma base metodológica para futuras pesquisas sobre participação e interesse pelo nudismo, evitando interpretar indisponibilidade de serviços como desinteresse comprovado.

1.3 Hipóteses

Foram formuladas cinco hipóteses:

H1 — Barreira geográfica: A distribuição desigual dos espaços nudistas obriga parte da população adulta interessada a percorrer grandes distâncias para participar de atividades organizadas.

H2 — Barreira econômica: Despesas com transporte, alimentação, hospedagem e serviços associados podem comprometer a acessibilidade, sobretudo entre trabalhadores com menor disponibilidade financeira.

H3 — Desigualdade regional: A oferta de espaços nudistas permanentes é proporcionalmente menor em determinadas regiões brasileiras.

H4 — Acessibilidade local: A criação de espaços próximos aos centros urbanos, gratuitos ou de baixo custo, poderia reduzir barreiras materiais à participação.

H5 — Demanda potencial: Uma participação observada reduzida não demonstra, isoladamente, ausência de interesse social; a eventual demanda não atendida necessita de investigação direta.

Nenhuma dessas hipóteses é considerada comprovada antecipadamente. Sua avaliação depende da correspondência entre evidências disponíveis e fenômenos efetivamente mensurados.

2. Fundamentação teórica

2.1 Acessibilidade geográfica e distribuição de oportunidades

A acessibilidade é um conceito central para compreender como a organização espacial influencia as oportunidades disponíveis às pessoas.

Hansen (1959), em estudo clássico sobre uso do solo, desenvolveu uma abordagem segundo a qual a acessibilidade está relacionada à possibilidade de alcançar oportunidades distribuídas no espaço. Embora o trabalho estivesse voltado ao planejamento urbano, o princípio oferece uma referência para investigar equipamentos destinados ao lazer.

Geurs e Van Wee (2004) ampliaram essa discussão ao sistematizar diferentes formas de medir acessibilidade. Os autores demonstraram que indicadores baseados somente em velocidade ou distância são limitados quando comparados a abordagens que consideram localização das atividades, características do transporte, restrições temporais e condições individuais.

Aplicada ao nudismo, essa perspectiva indica que a existência de uma praia cadastrada em um estado não informa diretamente quantas pessoas conseguem utilizá-la.

A avaliação exige conhecer a localização do residente, o destino efetivamente disponível, a malha de transportes, os custos e as condições de ingresso.

Uma praia distante 50 quilômetros pode apresentar acesso difícil se não houver transporte público adequado. Por outro lado, uma instalação mais afastada pode ser relativamente acessível quando conectada por transporte frequente e de baixo custo.

Portanto, a distância espacial não deve ser confundida automaticamente com acessibilidade efetiva.

2.2 Mobilidade, renda e exclusão social

A literatura sobre mobilidade demonstra que as desigualdades de transporte podem contribuir para diferentes formas de exclusão social.

Lucas (2012) examinou o desenvolvimento das pesquisas sobre desvantagem de transporte e exclusão social, destacando a relação entre pobreza, mobilidade e acesso às oportunidades. A autora também ressaltou que os processos causais são complexos e variam conforme as circunstâncias territoriais e sociais.

Essa ressalva é particularmente importante para o presente estudo. Não basta demonstrar que uma população está distante de determinada atividade para concluir que sua ausência decorre da distância.

A renda disponível, as preferências pessoais, a reputação das instituições, o tempo de viagem, a segurança, as condições familiares e os custos de oportunidade podem influenciar a decisão de participar.

A acessibilidade econômica também depende da relação entre o gasto necessário e os recursos de que o indivíduo efetivamente dispõe.

Duas pessoas residentes no mesmo município podem enfrentar restrições muito diferentes. Uma delas pode possuir automóvel, hospedagem familiar no destino e flexibilidade de horários; outra pode depender de transporte intermunicipal, aluguel de hospedagem e autorização para se ausentar do trabalho.

Embora compartilhem a mesma distância geográfica, suas condições práticas de acesso são distintas.

2.3 Lazer, tempo disponível e desigualdade

O acesso ao lazer depende de uma combinação de fatores materiais e subjetivos.

No Brasil, o IBGE investigou práticas esportivas e atividades físicas por meio de suplemento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2015. Entre os motivos declarados para não praticar esportes, a falta de tempo e a ausência de interesse apresentaram elevada frequência. A pesquisa também examinou aspectos associados à renda, à escolaridade e à disponibilidade de instalações.

Esses resultados não podem ser transferidos diretamente para o nudismo, porque as atividades investigadas, seus públicos e suas condições de realização são diferentes.

Entretanto, ilustram um princípio metodológico relevante: a não participação em uma atividade pode corresponder a diferentes motivos, que devem ser investigados separadamente (IBGE, 2017).

Para uma pessoa com jornada extensa, responsabilidades familiares e poucas folgas, mesmo uma atividade de entrada gratuita pode tornar-se onerosa quando exige várias horas de viagem.

Os custos de oportunidade precisam ser considerados. O tempo utilizado no deslocamento pode concorrer com o descanso, o trabalho remunerado e outras responsabilidades.

2.4 Oferta, participação observada e demanda não atendida

É necessário distinguir quatro conceitos.

A oferta corresponde aos espaços e atividades efetivamente disponíveis.

A acessibilidade representa as condições práticas para alcançar e utilizar essas oportunidades.

A participação observada corresponde à frequência ou ao número de indivíduos que efetivamente participam.

A demanda potencial corresponde ao possível interesse em participar, inclusive entre pessoas que atualmente não frequentam espaços organizados.

Esses conceitos não são intercambiáveis.

Um cadastro institucional pode indicar oferta, mas não revelar diretamente a procura. Dados sobre visitantes podem demonstrar participação, mas não informar quantas pessoas gostariam de participar e não conseguem.

Da mesma forma, uma pesquisa de opinião pode identificar interesse declarado sem comprovar que esse interesse se converteria em participação efetiva.

A eventual existência de demanda reprimida deve ser demonstrada por investigação apropriada, preferencialmente com amostragem representativa, instrumentos validados e controle de fatores econômicos, territoriais e socioculturais.

O presente artigo não realiza essa mensuração.

3. Metodologia

3.1 Delineamento da pesquisa

Foi realizada uma pesquisa documental, descritiva e exploratória, de abrangência nacional, complementada por estudo de caso regional.

A unidade principal de análise espacial corresponde ao local físico identificado como destinado à prática organizada do nudismo.

As associações, clubes e entidades parceiras foram analisados separadamente, considerando sua natureza jurídica ou organizacional e a eventual existência de instalações próprias ou contratadas.

A investigação utilizou informações públicas consultadas até 7 de novembro de 2026. As séries demográficas possuem referência no ano de 2022; os indicadores de rendimento destacados referem-se a 2025; e as informações institucionais e rodoviárias correspondem às fontes disponíveis no momento do levantamento, com datas específicas quando identificadas.

3.2 Fontes consultadas

A principal fonte institucional foi a relação de grupos e locais da Federação Brasileira de Naturismo, complementada por páginas individuais de praias, associações e entidades.

Os dados demográficos foram obtidos de publicações do Censo Demográfico de 2022 e de informações extraídas da Tabela 9514 do Sistema IBGE de Recuperação Automática, reproduzidas em publicação oficial do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Para a análise econômica, foram utilizados indicadores da PNAD Contínua, especialmente os rendimentos domiciliares per capita de 2025, divulgados pelo IBGE em 2026.

As distâncias rodoviárias foram examinadas a partir de fontes cartográficas públicas e serviços de cálculo de rotas. Esses serviços constituem fontes secundárias e podem apresentar diferenças em função do itinerário, do ponto de partida, da malha considerada e da atualização dos dados.

Informações sobre legislação municipal e decisões judiciais foram examinadas para distinguir reconhecimento federativo, autorização administrativa e proteção judicial.

A fundamentação teórica utilizou trabalhos científicos identificáveis por seus periódicos, autores e identificadores digitais.

3.3 Critérios de inclusão e classificação

Foram adotadas quatro categorias.

Categoria A — Praias cadastradas: áreas geograficamente identificáveis e relacionadas pela FBrN como praias de prática organizada.

Categoria B — Instalações privadas identificadas: propriedades recreativas, campings, clubes ou empreendimentos que declaram infraestrutura física para a prática e cuja localização possa ser documentada.

Categoria C — Organizações com encontros em espaços variáveis: associações ou clubes com atividades em imóveis alugados ou cedidos, sem comprovação de sede recreativa permanente.

Categoria D — Organizações sem instalação recreativa própria documentada: grupos de divulgação, comunicação, apoio ou representação institucional.

Para evitar duplicações, uma associação responsável pela organização de uma praia não foi contabilizada como uma instalação adicional.

Da mesma forma, duas organizações que compartilham um mesmo empreendimento físico não devem ser transformadas automaticamente em dois pontos distintos no mapa.

3.4 Definição operacional de acessibilidade

A análise considera que um local somente pode ser incluído como destino de acessibilidade efetiva quando apresenta condições razoavelmente verificáveis de utilização.

Isso não significa que seja obrigatório possuir acesso irrestrito ou gratuito. Um clube privado pode integrar o conjunto de destinos, desde que suas regras de ingresso sejam identificadas.

Entretanto, espaços sem endereço confirmado, sem calendário verificável ou sem condições públicas de inscrição devem receber classificação de acessibilidade indeterminada.

Foram considerados os seguintes elementos: localização física, periodicidade de funcionamento, requisitos de admissão, disponibilidade de transporte, distância rodoviária, custos diretos e necessidade de permanência fora do domicílio.

3.5 Procedimentos estatísticos

A quantidade de praias por unidade da federação foi calculada por contagem simples dos registros individualizados na relação consultada.

As quantidades regionais foram obtidas pela agregação das unidades federativas segundo as cinco grandes regiões do IBGE.

A população adulta brasileira foi calculada subtraindo da população total do Censo de 2022 os residentes com idade de zero a 17 anos.

O índice nacional de adultos por praia foi definido como:

I = P18+ / N

Onde:

  • I representa a quantidade de adultos por praia cadastrada;

  • P18+ corresponde à população residente com 18 anos ou mais;

  • N corresponde ao número de praias cadastradas no levantamento.

Esse indicador mede exclusivamente uma relação quantitativa entre população adulta e quantidade de praias. Não representa capacidade de atendimento, demanda, frequência ou facilidade de deslocamento.

Para comparações entre regiões, também foi utilizada a razão entre população residente total e número de praias. Quando o denominador é zero, o indicador é considerado não aplicável, e não igual a zero.

3.6 Indicadores geográficos não concluídos

O cálculo da proporção de brasileiros residentes a mais de 100, 300 ou 500 quilômetros de algum espaço nudista exige um modelo nacional de acessibilidade ainda não executado.

Tal cálculo requer georreferenciamento confiável dos espaços, identificação dos locais efetivamente disponíveis, dados populacionais municipais ou por setor censitário e uma rede viária com distâncias ou tempos de percurso.

Não foi produzida uma matriz nacional de origens e destinos capaz de sustentar esses resultados.

Consequentemente, não são apresentados percentuais populacionais de cobertura nessas faixas.

3.7 Questões éticas

A pesquisa utiliza exclusivamente informações públicas e dados agregados. Não houve recrutamento de voluntários, entrevistas, exposição corporal de participantes, observação de pessoas identificáveis ou registro de informações privadas.

O artigo não representa pesquisa experimental com seres humanos.

A Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde estabelece, em seu artigo 1º, parágrafo único, hipóteses de pesquisas que não são registradas nem avaliadas pelo sistema CEP/CONEP, incluindo aquelas baseadas em informações de acesso público e bancos agregados sem possibilidade de identificação individual.

O enquadramento documental deste trabalho é compatível com essas categorias. Não se declara, contudo, qualquer aprovação ética formal inexistente.

Pesquisas futuras envolvendo participantes identificáveis, experiências presenciais ou procedimentos de intervenção deverão receber avaliação metodológica e ética apropriada às atividades efetivamente propostas.

4. Resultados

4.1 Quantidade de praias cadastradas

A relação da Federação Brasileira de Naturismo consultada em novembro de 2026 apresenta sete praias, distribuídas pelos estados da Bahia, Paraíba, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

A contagem é diferente da referência histórica frequentemente repetida de oito praias. Essa diferença exige atenção ao período considerado e às condições de reconhecimento.

Em dezembro de 2025, Balneário Camboriú modificou sua regulamentação e retirou o reconhecimento municipal do nudismo na Praia do Pinho. A legislação restritiva permaneceu em vigor após decisão judicial divulgada em março de 2026, embora o conflito jurídico não estivesse necessariamente encerrado.

A Praia da Galheta, em Florianópolis, apresenta outra particularidade. Segundo a FBrN, uma decisão proferida no âmbito do Habeas Corpus nº 5084206-42.2025.8.24.0000 estabeleceu proteção contra determinadas medidas penais motivadas exclusivamente pela nudez social não sexual na faixa de areia e no mar, até deliberação legislativa. Essa decisão não representa uma autorização administrativa ampla para todas as áreas da praia e adjacências.

Portanto, o número sete deve ser interpretado como a contagem do cadastro federativo examinado, e não como certificação jurídica independente de sete locais com estatuto administrativo idêntico.

Tabela 1 — Praias cadastradas pela FBrN e características de acesso

EspaçoMunicípioUFRegiãoCategoria e situaçãoCondições documentadasCobrança verificadaFonte
TambabaCondePBNordestePraia cadastradaÁrea delimitada, com regras específicas de utilizaçãoTarifa obrigatória não confirmadaFBrN, Praia de Tambaba
MassarandupióEntre RiosBANordestePraia cadastradaAcesso por estrada e caminhada aproximada de 20 minutosTarifa obrigatória não confirmada; serviços particulares à parteFBrN, Praia de Massarandupió
Barra SecaLinharesESSudestePraia cadastradaAcesso terrestre complementado por travessia de embarcaçãoEntrada franca segundo fonte municipal; travessia pode ser cobradaFBrN; Turismo Linhares
Olho de BoiArmação dos BúziosRJSudestePraia cadastradaAcesso por trilha; infraestrutura limitadaNão confirmadaFBrN, Praia Olho de Boi
AbricóRio de JaneiroRJSudestePraia cadastradaAcesso pela região de Grumari; serviços limitadosTarifa obrigatória não confirmadaFBrN, Praia do Abricó
GalhetaFlorianópolisSCSulPraia cadastrada, com situação jurídica específicaAcesso por trilha; proteção judicial restrita à areia e ao marNão confirmadaFBrN, Praia da Galheta
Pedras AltasPalhoçaSCSulPraia cadastradaAcesso rodoviário por Enseada do Brito; infraestrutura turística limitadaAcesso sem tarifa obrigatória não confirmado; serviços pagos possíveisFBrN, Praia de Pedras Altas

Fonte: Elaboração própria com base na Federação Brasileira de Naturismo, páginas individuais dos espaços, e informações do portal oficial de turismo de Linhares. Consulta em 7 nov. 2026.

Nota metodológica: A expressão “não confirmada” significa ausência de preço ou condição de cobrança suficientemente documentada na fonte examinada. Não significa gratuidade comprovada. Informações sobre infraestrutura e horários dependem de atualização antes de uma visita.

A Tabela 1 demonstra a existência de diferentes obstáculos internos ao próprio conjunto de praias cadastradas.

Barra Seca exige travessia de embarcação, o que adiciona uma etapa logística ao deslocamento terrestre.

Massarandupió demanda percurso final por estrada e caminhada em ambiente de dunas.

Olho de Boi e Galheta exigem deslocamentos a pé por trilhas.

Pedras Altas apresenta acesso local descrito pela própria FBrN como precário.

Desse modo, a distância entre a cidade de origem e o município de destino não equivale necessariamente à distância necessária para chegar à área de prática.

4.2 Espaços privados e associações com atividades organizadas

A documentação examinada também apresenta organizações que não podem ser enquadradas simplesmente como praias públicas ou clubes de funcionamento cotidiano.

O Ecoparque da Mata, localizado na região de Massarandupió, no município de Entre Rios, Bahia, é apresentado pela FBrN como propriedade particular com acomodações, instalações de convivência, camping e infraestrutura recreativa.

Sua existência física também é documentada por fontes externas, incluindo o inventário do programa da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.

A Ecovila Naturista da Mata aparece separadamente na relação federativa. Entretanto, a documentação indica proximidade e integração entre os empreendimentos, razão pela qual não seria metodologicamente adequado presumir que representem dois estabelecimentos independentes e integralmente disponíveis à visitação.

O Clube Naturista Planalto Central, sediado administrativamente em Brasília, informa em sua página federativa que utilizou durante nove anos uma área no município de Santo Antônio do Descoberto, Goiás, mas encerrou a utilização desse espaço em agosto de 2022. A mesma página informa a busca por outra instalação.

A existência jurídica ou associativa do clube não comprova, portanto, a disponibilidade atual da antiga propriedade.

A associação Naturistas do Interior Paulista informa que utilizava espaços alugados e que se encontra temporariamente sem atividades próprias regulares.

A associação Naturistas da Grande São Paulo informa a realização de encontros bimestrais divulgados por convite, sem identificar um estabelecimento próprio permanentemente aberto.

A associação NatParaná declara utilizar espaços alugados na região de Curitiba, com localização variável.

Essas informações impedem tratar a quantidade de associações como número de instalações acessíveis em qualquer dia do ano.

Tabela 2 — Instalações privadas e organizações relevantes para a acessibilidade

Organização ou espaçoLocalidade documentadaNaturezaCondição física ou operacionalClassificação nesta pesquisa
Ecoparque da MataEntre Rios, BAPropriedade recreativa privadaInfraestrutura física documentada; funcionamento e admissão atuais exigem confirmaçãoInstalação privada identificada
Ecovila Naturista da MataEntre Rios, BAEmpreendimento de moradia e lazerIndícios de integração territorial com o Ecoparque; autonomia física não estabelecidaNão contabilizada separadamente
Clube Naturista Planalto Central — PLANATBrasília, DF; antigo local em Santo Antônio do Descoberto, GOClube associativoAntiga área descontinuada em 2022; nova sede recreativa não confirmadaClube sem espaço fixo atual comprovado
Naturistas do Interior Paulista — NIPInterior de São PauloAssociaçãoAtividades próprias descritas como temporariamente paralisadasSem local atual permanente comprovado
Naturistas da Grande São Paulo — SPNatRegião metropolitana de São PauloAssociaçãoEncontros por convite em datas determinadasAtividade organizada, sem endereço recreativo permanente confirmado
NatParanáRegião de Curitiba, PRAssociaçãoEncontros em instalações alugadas e variáveisAtividade organizada, sem sede recreativa fixa
Comunidade Naturista — CoNatVespasiano, MG; encontros em Minas GeraisAssociaçãoMunicípio de referência identificado; local de cada encontro depende de programaçãoAssociação sem instalação recreativa fixa confirmada

Fonte: FBrN, páginas institucionais das respectivas organizações; Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, registro do Ecoparque da Mata.

A tabela não representa um censo exaustivo de todas as iniciativas privadas brasileiras. Seu objetivo é identificar organizações relevantes documentadas durante a pesquisa e demonstrar por que a contagem de entidades não equivale à contagem de equipamentos.

Também não seria correto concluir que organizações sem sede própria sejam inativas. Algumas podem realizar encontros frequentes e socialmente relevantes. A limitação refere-se à possibilidade de determinar acessibilidade permanente a partir das informações disponíveis.

4.3 Distribuição geográfica por unidade da federação

As sete praias cadastradas concentram-se em cinco das 27 unidades federativas brasileiras.

Tabela 3 — Distribuição das praias cadastradas por unidade da federação

Unidade da federaçãoQuantidadeParticipação no total nacional
Bahia114,29%
Paraíba114,29%
Espírito Santo114,29%
Rio de Janeiro228,57%
Santa Catarina228,57%
Demais 22 unidades federativas00,00%
Brasil7100,00%

Fonte: Cálculos próprios a partir da relação FBrN consultada em 7 nov. 2026.

Essa distribuição demonstra concentração espacial da oferta de praias cadastradas. Aproximadamente 81,5% das unidades federativas não possuem praia na relação examinada.

Entretanto, o resultado não significa que 81,5% da população esteja desprovida de oportunidades organizadas. População e unidades federativas não possuem a mesma distribuição, e podem existir clubes, eventos ou instalações privadas nesses territórios.

A análise também não informa a distância da população até praias situadas em estados vizinhos.

4.4 Distribuição por grandes regiões

Tabela 4 — Praias cadastradas e população residente por região brasileira

RegiãoPraias cadastradasPopulação total — Censo 2022Habitantes totais por praia
Norte017.354.884Não aplicável
Nordeste254.658.51527.329.258
Sudeste384.840.11328.280.038
Sul229.937.70614.968.853
Centro-Oeste016.289.538Não aplicável
Brasil7203.080.75629.011.537

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022; FBrN, cadastro de grupos e locais; cálculos próprios.

Nota: A última coluna utiliza população de todas as idades, diferentemente do indicador nacional de população adulta apresentado na seção seguinte. Os resultados estão arredondados para o habitante mais próximo.

A Região Sudeste apresenta a maior quantidade absoluta de praias cadastradas, com três. As regiões Nordeste e Sul possuem duas cada uma.

Norte e Centro-Oeste não apresentam praias nesse conjunto.

Somadas, as duas regiões sem praias cadastradas possuíam 33.644.422 habitantes em 2022, o equivalente a aproximadamente 16,6% da população brasileira.

Esse resultado demonstra que parcelas relevantes do território e da população residem em regiões sem praias presentes no cadastro federativo.

Não significa, contudo, que todos esses habitantes estejam distantes de outras modalidades de prática nudista ou que todos tenham interesse na atividade.

A distribuição regional também apresenta uma limitação geométrica: regiões brasileiras são unidades muito extensas, e a existência de uma praia em determinado território não garante acesso fácil a seus residentes.

A localização de Tambaba, por exemplo, não demonstra acessibilidade equivalente para moradores de todos os municípios do Nordeste.

Da mesma forma, duas praias situadas relativamente próximas em Santa Catarina não necessariamente produzem a mesma cobertura territorial que duas instalações distribuídas por estados distantes.

[Inserir Gráfico 1 — Quantidade de praias cadastradas por grande região brasileira. Dados: Norte 0; Nordeste 2; Sudeste 3; Sul 2; Centro-Oeste 0.]

[Inserir Mapa 1 — Distribuição geográfica das sete praias cadastradas pela FBrN, com identificação por nome, município e estado.]

4.5 População adulta brasileira por praia cadastrada

O Censo Demográfico de 2022 registrou 203.080.756 habitantes no Brasil.

Para calcular a população com 18 anos ou mais, foram utilizados os totais censitários dos grupos de zero a quatro, cinco a nove e dez a 14 anos, além das populações de 15, 16 e 17 anos obtidas da Tabela 9514 do IBGE, reproduzidas em documento oficial do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Tabela 5 — Derivação da população brasileira adulta em 2022

Faixa etáriaPopulação
0 a 4 anos12.704.860
5 a 9 anos13.749.440
10 a 14 anos13.674.961
15 anos2.819.510
16 anos2.874.948
17 anos2.910.839
Total de 0 a 17 anos48.734.558
População total brasileira203.080.756
População de 18 anos ou mais154.346.198

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022, população por idade e sexo; Brasil, Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Levantamento Nacional de Dados do SINASE 2023, com dados da Tabela 9514 do SIDRA. Cálculo próprio.

Assim, a população adulta corresponde a aproximadamente 76,0% da população brasileira recenseada em 2022.

Dividindo o total de adultos pelas sete praias cadastradas:

154.346.198 ÷ 7 = 22.049.456,86

O indicador resultante é de aproximadamente 22,05 milhões de adultos por praia cadastrada.

Esse quociente sintetiza a baixa densidade numérica das praias em relação à população adulta nacional.

Entretanto, não significa que cada praia seja responsável por atender 22 milhões de indivíduos. Tampouco permite concluir que uma proporção determinada desses adultos deseje frequentar ambientes nudistas.

A relação também não incorpora capacidade de atendimento, distribuição populacional, localização das praias, sazonalidade, quantidade de dias disponíveis ou condições financeiras dos potenciais usuários.

Sua finalidade é exclusivamente descritiva.

O cálculo regional equivalente para adultos exige a extração das populações por idade simples em cada grande região, utilizando os mesmos critérios censitários aplicados ao Brasil. Essa etapa não foi concluída com verificação independente para todas as regiões e, por isso, não são apresentados valores regionais de população adulta por praia.

4.6 Renda e desigualdade econômica

A PNAD Contínua apresentou rendimento nominal mensal domiciliar per capita de R$ 2.316 para o Brasil em 2025.

No mesmo período, Mato Grosso do Sul registrou R$ 2.454; Bahia, R$ 1.465; Paraíba, R$ 1.543; Espírito Santo, R$ 2.249; Rio de Janeiro, R$ 2.794; e Santa Catarina, R$ 2.809 (IBGE, 2026).

Esses valores não representam salários individuais dos trabalhadores. São médias de rendimento domiciliar por residente, calculadas conforme a metodologia da pesquisa.

Tabela 6 — Indicadores selecionados de rendimento domiciliar per capita, 2025

Unidade territorialRendimento nominal mensal per capita
BrasilR$ 2.316
Mato Grosso do SulR$ 2.454
BahiaR$ 1.465
ParaíbaR$ 1.543
Espírito SantoR$ 2.249
Rio de JaneiroR$ 2.794
Santa CatarinaR$ 2.809

Fonte: IBGE, PNAD Contínua, rendimentos domiciliares per capita de 2025, divulgados em fevereiro de 2026.

A tabela demonstra diferenças de rendimento entre os territórios examinados.

Não demonstra, isoladamente, associação estatística entre renda individual e participação no nudismo.

Para avaliar essa relação seria necessário dispor de dados sobre renda de participantes e não participantes, gastos efetivos, padrões de viagem e preferências individuais.

Mesmo sem essa mensuração, os indicadores econômicos oferecem referências para contextualizar despesas de transporte e hospedagem.

4.7 Indicadores ainda não mensurados

A pesquisa não conseguiu determinar com segurança:

  • Quantos adultos residem a mais de 100 quilômetros de um espaço nudista efetivamente acessível.

  • Quantos residem a mais de 300 ou 500 quilômetros.

  • Qual é a distância rodoviária mediana da população adulta brasileira até o local utilizável mais próximo.

  • Qual é a proporção de trabalhadores de baixa renda que enfrenta restrições financeiras relevantes.

  • Qual é a quantidade total de instalações privadas permanentes existentes fora do cadastro consultado.

  • Qual é a participação efetiva da população adulta em práticas nudistas.

  • Quantos indivíduos gostariam de participar caso existissem instalações mais próximas.

Essas ausências não invalidam os resultados descritivos existentes. Delimitam o alcance das conclusões e os procedimentos necessários para aprofundamento científico.

5. Discussão

5.1 A concentração territorial como resultado verificável

A principal constatação da pesquisa consiste na concentração das praias cadastradas em uma parcela relativamente pequena do território brasileiro.

Sete praias distribuídas por cinco unidades federativas constituem uma oferta espacialmente restrita quando comparada à extensão territorial do país.

A concentração em áreas litorâneas também cria uma diferença fundamental entre populações costeiras e residentes em estados do interior.

Moradores próximos das praias podem acessar instalações com deslocamentos relativamente curtos. Por sua vez, residentes distantes do litoral precisam recorrer a viagens longas ou a alternativas privadas e associativas.

A análise das organizações demonstra que essas alternativas existem em algumas localidades, mas nem sempre possuem endereços fixos e funcionamento cotidiano.

Assim, a oferta de praias representa apenas uma dimensão da infraestrutura nudista brasileira. Contudo, permanece um indicador relevante da distribuição de locais conhecidos e territorialmente identificáveis.

5.2 Avaliação da hipótese H1

A hipótese H1 afirma que a distribuição desigual dos espaços obriga parte da população interessada a realizar grandes deslocamentos.

Os dados sustentam a primeira parte da proposição: existe desigualdade territorial na localização das praias cadastradas.

A análise do estudo de caso, apresentada adiante, também demonstra que moradores de determinadas cidades do interior precisam percorrer trajetos rodoviários extensos para alcançar praias desse conjunto.

Entretanto, a pesquisa não identificou individualmente pessoas interessadas nem observou suas decisões de viagem.

Portanto, H1 recebe apoio descritivo parcial, mas não foi integralmente testada em relação à população nacional.

Para avaliar sua abrangência, seria necessário calcular a distância de todos os municípios ou setores censitários até instalações acessíveis, considerando diferentes modalidades de transporte.

5.3 Avaliação da hipótese H2

A hipótese H2 relaciona os custos de transporte, hospedagem e alimentação à menor acessibilidade entre trabalhadores de baixa renda.

A literatura sobre exclusão relacionada ao transporte oferece fundamento teórico para essa possibilidade (LUCAS, 2012).

Entretanto, os indicadores de renda utilizados nesta pesquisa não foram cruzados com informações individuais de participação ou desistência.

Também não foi construído um orçamento de viagem com preços contemporâneos verificados para todas as origens e destinos.

Consequentemente, a hipótese é economicamente plausível, mas não comprovada empiricamente por este estudo.

A comprovação exigiria estimativas comparáveis de custo completo de viagem e dados sobre disponibilidade financeira dos interessados.

Além do preço direto, seria necessário considerar tempo de deslocamento, perda de renda em viagens realizadas durante dias de trabalho e acesso a alternativas de transporte.

5.4 Avaliação da hipótese H3

A hipótese H3 prevê oferta proporcionalmente menor em algumas regiões brasileiras.

O levantamento demonstrou diferenças na quantidade absoluta de praias, inclusive ausência de registros nas regiões Norte e Centro-Oeste.

Assim, a desigualdade regional das praias cadastradas foi confirmada como característica descritiva do conjunto analisado.

Entretanto, a expressão “oferta de espaços nudistas” é mais ampla do que “praias cadastradas pela FBrN”.

As regiões podem apresentar clubes, instalações particulares ou associações com encontros regulares.

A confirmação de H3 para o conjunto integral dos espaços nudistas brasileiros depende de um inventário mais abrangente e com verificação atualizada de funcionamento.

5.5 Avaliação da hipótese H4

A hipótese H4 considera que locais próximos das cidades, gratuitos ou de baixo custo, poderiam reduzir obstáculos de participação.

A proposição apresenta coerência com o conceito de acessibilidade: a redução de distâncias e custos tende a diminuir componentes específicos do esforço necessário para alcançar uma oportunidade.

Entretanto, reduzir custos não garante automaticamente aumento da participação.

A atividade poderia continuar apresentando baixa procura em determinadas localidades, mesmo após a criação de instalações próximas.

Além disso, diferentes pessoas podem avaliar o nudismo de forma distinta, independentemente das condições de acesso.

Portanto, H4 permanece uma hipótese de intervenção comunitária a ser testada.

Sua avaliação demandaria comparação de indicadores antes e depois da implantação de instalações, com atenção a fatores externos capazes de influenciar a participação.

5.6 Avaliação da hipótese H5

A hipótese H5 afirma que uma quantidade reduzida de praticantes não demonstra, isoladamente, ausência de interesse.

Esse enunciado expressa uma limitação lógica importante da interpretação dos dados.

A baixa participação pode resultar de desinteresse, mas também pode decorrer de falta de oportunidades, problemas financeiros, restrições temporais, desconhecimento das atividades ou receio de exposição social.

A presente pesquisa não permite determinar a importância relativa de cada fator.

Desse modo, H5 é sustentada enquanto advertência metodológica contra inferência indevida, mas não equivale à comprovação de demanda reprimida.

A demanda potencial precisa ser mensurada por pesquisa específica.

5.7 Desigualdades entre capitais, cidades médias e interior

A distribuição das praias cadastradas não acompanha simplesmente o tamanho das populações urbanas.

O Rio de Janeiro possui uma praia localizada no território de sua capital; Florianópolis também possui uma praia cadastrada, embora com particularidades jurídicas.

Outras praias situam-se em municípios litorâneos de menor porte ou em áreas com características turísticas específicas, como Conde, Entre Rios, Linhares, Armação dos Búzios e Palhoça.

São Paulo, apesar de sua grande população, não possui praia cadastrada no município. Existem, contudo, associações que realizam atividades na região metropolitana.

O contraste demonstra que a presença de uma capital populosa não garante uma praia cadastrada, e que municípios menores podem concentrar instalações relevantes para a atividade.

A pesquisa não produziu uma classificação nacional de municípios por hierarquia urbana, porte populacional e distância aos espaços. Assim, não é possível afirmar qual categoria territorial apresenta, em média, o pior acesso.

O aprofundamento desse tema deve empregar categorias do IBGE, como concentrações urbanas e regiões geográficas imediatas, e comparar indicadores de deslocamento entre elas.

5.8 Interpretação da escassez de oportunidades

Os resultados permitem formular uma interpretação relevante para estudos sociais do nudismo.

Quando uma atividade depende de locais específicos, sua frequência observada não pode ser interpretada exclusivamente como manifestação de interesse ou desinteresse.

A oferta territorial estabelece condições materiais que antecedem a participação.

No entanto, a distribuição espacial não determina sozinha os comportamentos.

Essa distinção evita dois erros simétricos.

O primeiro seria concluir que poucas pessoas praticam nudismo porque poucas desejam praticá-lo.

O segundo seria concluir que existe uma quantidade elevada de interessados apenas porque há poucos locais disponíveis.

Ambas as interpretações exigem dados de comportamento e opinião que não foram produzidos no presente estudo.

A contribuição científica deste trabalho é demonstrar a necessidade de tratar oferta, acessibilidade e demanda como dimensões distintas de investigação.

6. Estudo de caso: Aquidauana e Anastácio, Mato Grosso do Sul

6.1 Caracterização territorial

Aquidauana e Anastácio são municípios vizinhos de Mato Grosso do Sul.

Segundo o Censo Demográfico de 2022, Aquidauana possuía 46.803 habitantes e Anastácio, 24.114.

A população conjunta recenseada era, portanto, de 70.917 habitantes.

As sedes urbanas encontram-se próximas e articuladas por infraestrutura rodoviária e urbana, formando um contexto territorial adequado para análise conjunta das oportunidades de lazer.

Ambos os municípios estão situados no interior do país, afastados das regiões litorâneas onde se concentra o cadastro de praias nudistas.

Mato Grosso do Sul possuía 2.757.013 habitantes no Censo de 2022 e não apresenta praia relacionada no cadastro federativo consultado.

A ausência de um estabelecimento cadastrado no estado, entretanto, não demonstra a inexistência de encontros privados, atividades informais ou iniciativas não filiadas à federação.

6.2 Organizações e espaços mais próximos

No levantamento documental, não foi identificada instalação física permanente e visitável de nudismo em Aquidauana, Anastácio ou Campo Grande na relação de grupos e locais da FBrN.

Entre as referências institucionais de outras regiões, a NatParaná declara realizar encontros em locais variáveis nos arredores de Curitiba.

A associação SPNat informa encontros por convite na região metropolitana de São Paulo.

O PLANAT apresenta sede associativa em Brasília, mas não confirma a disponibilidade atual de uma sede recreativa permanente.

Essas organizações representam possibilidades de contato e participação mediante confirmação prévia, não destinos físicos com acesso diário comprovado.

Entre as praias cadastradas, os municípios de Palhoça e Florianópolis, em Santa Catarina, apresentam distâncias rodoviárias expressivas a partir de Aquidauana.

Tabela 7 — Referências de deslocamento rodoviário a partir de Aquidauana

Destino municipalDistância rodoviária aproximadaReferência nudistaLimitação do indicador
Curitiba, PR1.125 kmNatParaná, encontros em locais alugadosNão corresponde ao endereço de um encontro determinado
São Paulo, SP1.141 kmSPNat, eventos por conviteNão corresponde ao endereço do evento
Brasília, DF1.183 kmPLANAT, sede associativaAntiga instalação recreativa foi descontinuada
Palhoça, SC1.422 kmPraia de Pedras AltasDistância até o município; acesso final à praia não incluído
Florianópolis, SC1.423 kmPraia da GalhetaDistância até o município; percurso final e restrições jurídicas não incluídos
Vespasiano, MG1.436 kmCoNat, referência associativaLocal exato dos encontros não estabelecido
Rio de Janeiro, RJ1.566 kmPraia do AbricóPercurso final até a área de Grumari não incluído

Fonte: Transvias, levantamento de distâncias rodoviárias de Aquidauana às capitais; DistânciasKM, rotas Aquidauana–Palhoça e Aquidauana–Vespasiano; FBrN, páginas institucionais das organizações. Distâncias aproximadas, sujeitas a diferenças de itinerário.

As distâncias da Tabela 7 representam trajetos de referência entre municípios, e não cálculos definitivos entre a residência de um usuário e a entrada de uma instalação.

As organizações sem endereço recreativo fixo não podem ser ordenadas rigorosamente pela distância até o evento mais próximo.

Também não foi produzida análise exaustiva capaz de assegurar que nenhum empreendimento privado não cadastrado exista a uma distância menor.

O resultado documentado permite afirmar que algumas das principais referências organizadas identificadas estão a mais de mil quilômetros de Aquidauana, enquanto as praias cadastradas comparadas ficam ainda mais distantes.

A partir de Anastácio, os percursos rodoviários apresentam pequenas diferenças associadas ao ponto de saída e à rota adotada.

6.3 Dificuldades práticas de deslocamento

Um deslocamento superior a mil quilômetros introduz obstáculos que ultrapassam o preço da passagem.

A viagem pode exigir conexões, pernoite, alimentação fora do domicílio e disponibilidade de vários dias consecutivos.

Para trabalhadores com jornada semanal fixa, a possibilidade de participar de um encontro depende da compatibilidade entre o calendário da atividade e as folgas disponíveis.

Uma pessoa que dispõe apenas de um domingo livre pode encontrar dificuldades para participar de eventos que exigem deslocamento terrestre prolongado.

A limitação torna-se mais relevante quando o local funciona somente em determinados finais de semana ou exige inscrição antecipada.

Também devem ser considerados problemas de integração entre transportes.

Uma passagem de ônibus até São Paulo ou Florianópolis não garante chegada ao imóvel utilizado por uma associação ou à área específica de uma praia.

Em certos casos, é necessário complementar o percurso com transporte urbano, veículo por aplicativo, táxi ou deslocamento a pé.

Esses componentes não são contemplados pela simples distância entre os centros municipais.

6.4 Análise econômica de uma viagem

Para examinar a ordem de grandeza do esforço financeiro, foi localizada uma oferta publicada pela plataforma ClickBus para o trecho Aquidauana–São Paulo, com passagem de ônibus anunciada por R$ 503,94 em data de outubro de 2026.

O valor corresponde a uma oferta específica e não deve ser interpretado como tarifa média, preço mínimo permanente ou cotação confirmada para novembro de 2026.

Sob a hipótese estritamente ilustrativa de que a viagem de retorno pudesse ser adquirida pelo mesmo valor, o gasto seria:

Transporte intermunicipal hipotético de ida e volta = 2 × R$ 503,94 = R$ 1.007,88.

Esse resultado constitui uma simulação aritmética baseada em uma tarifa anunciada, e não um custo efetivamente observado de viagem completa.

Não estão incluídos deslocamentos urbanos, hospedagem, alimentação, inscrição em eventos ou outras despesas.

A PNAD Contínua registrou rendimento nominal domiciliar per capita de R$ 2.454 em Mato Grosso do Sul no ano de 2025.

O valor hipotético de R$ 1.007,88 corresponde a aproximadamente 41,1% desse indicador mensal.

Essa comparação fornece apenas uma referência de escala econômica. Não representa a proporção da renda comprometida por um trabalhador típico, porque o rendimento domiciliar per capita não equivale a salário individual, existem desigualdades dentro do estado e os dados de rendimento e passagem se referem a períodos diferentes.

Tabela 8 — Componentes econômicos de uma viagem para atividade nudista

ComponenteInformação disponívelTratamento metodológico
Passagem de ida Aquidauana–São PauloR$ 503,94 em oferta histórica consultadaPreço anunciado para data específica de outubro de 2026
Passagem de retornoSem cotação verificada equivalenteHipótese ilustrativa de repetição da tarifa
Transporte intermunicipal de ida e voltaR$ 1.007,88 na simulaçãoNão representa preço cotado de viagem completa
Deslocamento urbano no destinoNão quantificadoExige cotação por itinerário
HospedagemNão quantificadaDepende de datas e modalidade
AlimentaçãoNão quantificadaDepende de duração e consumo
Participação em evento associativoNão quantificadaDepende de regulamento e inscrição
Custos de oportunidadeNão quantificadosDependem da situação profissional

Fonte: ClickBus, informação de tarifa histórica; IBGE, PNAD Contínua 2025; elaboração própria.

A tabela demonstra por que a gratuidade de entrada em uma praia não pode ser confundida com gratuidade da participação.

Para moradores de municípios afastados, o principal custo pode estar no transporte necessário para alcançar a oportunidade.

Uma análise economicamente completa deveria reunir preços de diferentes datas, modalidades de deslocamento e perfis de renda, permitindo calcular distribuições de custo em vez de depender de uma única tarifa anunciada.

6.5 Alternativas regionais e políticas associativas

Diante da escassez de instalações permanentes identificadas em Mato Grosso do Sul, pode-se discutir a possibilidade de criação de pequenos centros de convivência nudista no interior do estado.

A proposta examinada neste artigo consiste em centros comunitários recreativos, gratuitos para frequentadores e destinados exclusivamente a adultos com 18 anos ou mais.

A infraestrutura mínima de uma unidade poderia incluir área privada e visualmente protegida, instalações sanitárias, espaço de convivência e uma pequena piscina recreativa, conforme o modelo associativo em discussão.

Tal equipamento, caso fosse implantado em Aquidauana ou Anastácio, eliminaria a necessidade de viagens interestaduais para os moradores que desejassem participar de atividades locais e fossem admitidos nas condições estabelecidas.

Contudo, a redução potencial de deslocamentos não comprova a viabilidade econômica, a procura social ou o impacto efetivo sobre a frequência.

A implantação também envolveria despesas com terreno ou imóvel, adaptação física, piscina, tratamento de água, energia, manutenção, segurança, administração e cumprimento das exigências legais municipais.

A proposta de gratuidade aos frequentadores não equivale à ausência de custos operacionais. Seria necessário identificar fontes de financiamento compatíveis com a sustentabilidade do centro.

A eventual associação mantenedora poderia investigar contribuições voluntárias, doações e outras fontes legalmente admissíveis, preservando a separação entre acesso recreativo e atividades científicas.

Quanto à convivência, políticas de admissão e utilização devem ser transparentes, previamente conhecidas e compatíveis com direitos individuais, condições de saúde, higiene, segurança e privacidade.

O acesso reservado a adultos constitui uma característica da proposta específica, não uma descrição obrigatória de todas as organizações nudistas brasileiras existentes.

6.6 Como avaliar a eficácia de um centro local

A efetividade de uma instalação comunitária poderia ser investigada por indicadores definidos previamente.

Entre eles estariam o número de adultos interessados, a frequência mensal de usuários, a localização de origem, os custos individuais de deslocamento, a satisfação declarada e a sustentabilidade financeira da operação.

Para avaliar se uma instalação reduz efetivamente barreiras, seria importante comparar condições anteriores e posteriores à abertura, sem presumir que qualquer crescimento da participação seja causado exclusivamente pela existência do equipamento.

Poderiam interferir na frequência fatores como divulgação, características do espaço, confiança dos participantes, mudanças econômicas e disponibilidade de transporte.

Uma pesquisa independente sobre interesse regional também seria necessária para estimar a dimensão da demanda potencial.

Sem esses dados, a proposta permanece uma possibilidade de política associativa territorialmente coerente, mas de eficácia ainda não demonstrada.

7. Limitações da pesquisa

A primeira limitação consiste na ausência de um inventário nacional exaustivo de todas as instalações físicas utilizadas regularmente para nudismo.

A FBrN constitui uma fonte institucional relevante, mas seu cadastro não necessariamente inclui grupos informais, empreendimentos privados não filiados ou instalações recentemente criadas.

O número de sete praias possui definição e fonte precisas, mas não deve ser utilizado como equivalente ao número total de oportunidades de nudismo no país.

A segunda limitação refere-se à atualização temporal.

Algumas páginas institucionais apresentam descrições de longa duração sem informações completas sobre horários, funcionamento e condições atuais de admissão.

A terceira limitação envolve a heterogeneidade dos espaços.

Praias públicas, propriedades particulares, clubes, associações e encontros ocasionais possuem capacidades e regimes de utilização distintos.

A quarta limitação diz respeito aos dados geográficos.

Não foi executada análise de rede viária para todos os municípios brasileiros. Por isso, não foram calculadas as proporções da população residente a mais de 100, 300 ou 500 quilômetros dos espaços.

A quinta limitação é econômica.

Não foram reunidas séries representativas de preços de transporte, hospedagem e alimentação para múltiplas rotas, períodos e categorias de viajantes.

A sexta limitação decorre da utilização de dados de anos diferentes. A população corresponde ao Censo de 2022, a renda a 2025 e as condições institucionais a informações consultadas em 2026.

Essa diferença temporal não invalida as descrições individuais, mas impede tratar todas as variáveis como uma fotografia estatística simultânea.

A sétima limitação consiste na ausência de dados individuais de participação e interesse.

Não foram realizadas entrevistas, questionários ou pesquisas populacionais que permitissem mensurar disposição para praticar nudismo, receios sociais ou impedimentos econômicos efetivamente declarados.

A oitava limitação relaciona-se à impossibilidade de estabelecer causalidade.

A distribuição das instalações pode ser simultaneamente causa e consequência de padrões históricos de procura, decisões institucionais, conflitos legais, custos imobiliários e características culturais dos territórios.

A nona limitação refere-se à comparabilidade dos indicadores.

O número de habitantes por praia não informa capacidade física de atendimento nem demanda. Uma região com poucas praias pode possuir capacidade recreativa superior à de outra com número maior, dependendo das características de suas instalações.

Por fim, a escolha de Aquidauana e Anastácio como estudo de caso possui caráter intencional. Esses municípios são particularmente relevantes para o interesse regional da instituição proponente, mas não constituem amostra estatística de todos os municípios brasileiros do interior.

8. Conclusão

O estudo investigou a distribuição territorial de espaços nudistas brasileiros e suas possíveis implicações para o acesso da população adulta à prática organizada.

O levantamento documental identificou sete praias no cadastro consultado da Federação Brasileira de Naturismo, distribuídas por cinco unidades federativas e três grandes regiões.

As regiões Norte e Centro-Oeste não apresentaram praias nesse conjunto, embora existam organizações e atividades relacionadas ao nudismo em diferentes estados brasileiros.

A análise também demonstrou que associações e clubes não podem ser contabilizados automaticamente como instalações físicas permanentes. Algumas organizações utilizam propriedades alugadas, outras possuem calendário de encontros por convite, e determinadas instalações anteriormente utilizadas foram descontinuadas.

A população brasileira com 18 anos ou mais foi calculada em 154.346.198 pessoas no Censo de 2022. A razão correspondente é de aproximadamente 22,05 milhões de adultos por praia cadastrada, um indicador exclusivamente descritivo da distribuição quantitativa da oferta.

O estudo de caso de Aquidauana e Anastácio evidenciou a inexistência de instalações nudistas permanentes identificadas no cadastro federativo para esses municípios e apresentou referências organizadas em outras unidades da federação que exigem deslocamentos rodoviários superiores a mil quilômetros.

Essas distâncias podem representar obstáculos materiais, especialmente quando associadas à necessidade de transporte intermunicipal, hospedagem e disponibilidade de dias livres.

Entretanto, a pesquisa não demonstrou diretamente quantas pessoas deixam de praticar nudismo em razão desses obstáculos.

Também não comprovou que exista demanda reprimida em proporção determinada da população brasileira ou regional.

A pergunta central recebe, assim, uma resposta delimitada: a oferta cadastrada apresenta concentração territorial verificável, e determinados municípios do interior enfrentam grandes distâncias até locais documentados; contudo, a magnitude nacional das barreiras econômicas e sua influência causal sobre a participação permanecem sem mensuração suficiente.

As hipóteses H1 e H3 receberam apoio descritivo parcial no âmbito das praias cadastradas. H2 e H4 permanecem proposições plausíveis que exigem testes específicos. H5 foi preservada como princípio de cautela metodológica: ausência de participação não equivale necessariamente a ausência de interesse.

Recomenda-se, como continuidade científica, realizar um inventário nacional atualizado de instalações físicas; construir uma matriz de distâncias rodoviárias entre municípios e espaços disponíveis; calcular a população adulta coberta em diferentes intervalos de distância; analisar o custo de viagens por faixa de renda; e desenvolver pesquisa representativa sobre interesse, experiências anteriores e obstáculos declarados à participação.

No contexto de Mato Grosso do Sul, a eventual criação de pequenos centros comunitários nudistas, gratuitos e exclusivos para adultos, pode ser considerada uma hipótese de política associativa destinada a reduzir a necessidade de deslocamentos longos.

Sua implementação, entretanto, dependeria de comprovação de viabilidade financeira, cumprimento das exigências legais e avaliação posterior de seus resultados.

A principal contribuição do artigo consiste em inserir a geografia das oportunidades na investigação sociológica do nudismo brasileiro.

A compreensão da participação social nessa atividade exige examinar não apenas quantos indivíduos a praticam, mas também onde existem oportunidades, quem consegue alcançá-las, quanto custa utilizá-las e quais obstáculos permanecem entre o interesse e a participação efetiva.


Referências

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LUCAS, Karen. Transport and social exclusion: where are we now? Transport Policy, v. 20, p. 105-113, 2012. DOI: https://doi.org/10.1016/j.tranpol.2012.01.013.

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Nota de integridade científica: Este artigo apresenta uma análise documental original das fontes relacionadas, mas não constitui um estudo nacional conclusivo de acessibilidade por rede viária. Não houve coleta de dados primários nem revisão por pares. As tabelas de locais registram informações documentadas e não certificam, por si, funcionamento atual ou disponibilidade de vagas.

Gráficos e mapa para acompanhar o artigo

Gráfico 1 — Praias cadastradas por região

Chart

Fonte: FBrN, cadastro consultado em 7/11/2026.

Fonte: elaboração própria a partir da relação de praias da FBrN.
FBRN-Federação Brasileira de Naturismo

Mapa 1 — Distribuição nacional das sete praias cadastradas

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Mapa de localização, não de acessibilidade rodoviária. As marcações representam os locais documentados, sem garantir condições atuais de visitação. Fontes: cadastro e páginas individuais da FBrN.
FBRN-Federação Brasileira de Naturismo+3

Observação sobre a publicação

O manuscrito está estruturado para ser copiado ao Microsoft Word, inclusive suas oito seções, tabelas e referências. Para uma apresentação acadêmica convencional, recomendo fonte Times New Roman tamanho 12, espaçamento 1,5, margens de 3 cm à esquerda e superior e 2 cm à direita e inferior. As tabelas mais largas podem ocupar páginas em orientação paisagem.

O principal resultado científico é a concentração territorial demonstrada, não a comprovação de que milhões de brasileiros desejam praticar nudismo. Essa diferença preserva a credibilidade do estudo e fornece uma base verificável para a próxima etapa de investigação.

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